Todas as crianças podem ser os heróis da fruta.

Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil lança projeto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável” em todos os jardins de infância e escolas do 1.º ciclo, públicas e privadas, do país. Substituir snacks industriais por snacks com fruta é um dos objetivos. Os alunos terão um quadro de mérito nas salas de aula.
Os números dão que pensar. Há um estudo português que revela que apenas 2% das crianças, até aos 10 anos, comem uma peça de fruta por dia.Catorze por cento das crianças portuguesas são obesas e 33% estão na fronteira entre a gordura e a obesidade. Com os dados em cima da mesa, a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) apresenta esta sexta-feira, na véspera do Dia Mundial da Alimentação, o projeto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável” para prevenir a obesidade infantil a partir das escolas.”As crianças continuam a levar lanche para a escola e pretendemos que os snacksindustriais, que acabam por ser mais práticos, mais baratos e mais atrativos, sejam substituídos por snacks saudáveis com peças de fruta”, adianta Mário Silva, presidente da APCOI, ao EDUCARE.PT. Por isso, o projeto decidiu recorrer às mesmas estratégias de comunicação dos snacks industriais para despertar a curiosidade dos mais novos para umsnack saudável. A iniciativa pretende abraçar todos os jardins de infância e escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico do país, quer da rede pública, quer da rede privada.Tudo começa com uma inscrição dos professores no site oficial do projeto (www.heroisdafruta.com). Depois disso, as escolas interessadas recebem um guia desenhado para docentes com todos os passos e descrição de atividades para que o processo arranque. Entre janeiro e fevereiro do próximo ano, as ideias entram em cena. No primeiro dia, será feito um diagnóstico para que os responsáveis educativos percebam se a fruta faz ou não parte dos lanches das crianças. Durante 30 dias, os mais pequenos terão na sala de aula um quadro de mérito, em que podem pintar uma medalha ou uma estrela sempre que comerem uma peça de fruta. “Trata-se de uma ação de motivação para que a turma coma fruta”, explica Mário Silva, acrescentando que o objetivo é “atingir um grande número de fruta consumida durante esse mês”. E assim haverá heróis que comem fruta. Paralelamente, haverá atividades para envolver os pais e encarregados de educação nesta missão.As três escolas que obtenham os melhores resultados receberão a visita da APCOI num dia que será batizado de Dia dos Heróis da Fruta, com workshops de culinária incluídos no programa.
As tarefas dos mais novos não se resumem a ingerir fruta. As crianças serão ainda desafiadas a escrever a letra para o hino da fruta. Será escolhida a melhor letra para que a música comece a entrar nos ouvidos com uma mensagem que a memória retenha. O projeto foi apresentado no parque municipal Quinta da Alagoa, em Carcavelos, com atividades ao ar livre sobre alimentação saudável.

O nutricionista Rodrigo Abreu defende que as ementas devem ser nutricionalmente adequadas aos mais pequenos, mas também apelativas, variadas e até inovadoras. “Por exemplo, não basta incluir legumes ou peixe nas ementas escolares, esperando que só por isso as crianças os comam. É preciso ir mais longe e repensar as receitas, as formas de apresentar os alimentos e a forma como as refeições são ingeridas pelas crianças”, defende.

O nutricionista do Atelier de Nutrição reconhece que tem sido feito um esforço para que os aspetos nutricionais, económicos e práticos, nomeadamente a higiene e a segurança alimentar, se conjuguem. Mas é preciso tornar as refeições mais apetecíveis. “É preciso fazer com que as escolhas alimentares mais saudáveis sejam tão apelativas para as crianças como o são alguns alimentos menos equilibrados”, reforça.

O responsável lembra, no entanto, que a alimentação é muito mais do que a escolha de alguns alimentos saudáveis. “Temos de ensinar as nossas crianças a comer melhor”, sublinha. E a fruta não resolve todos problemas. Os lanches são muito importantes para o crescimento, concentração e saciedade dos mais novos, mas, por vezes, as aulas de 90 minutos condicionam essas refeições intermédias e há alunos que passam muito tempo sem confortar o estômago ou comem uma merenda à pressa e pouco recomendável.

“Pessoalmente, tenho pena que não se fomente mais a ‘hora do lanche’ no contexto escolar – seria uma oportunidade ótima para estimular o convívio em torno da comida, promover bons hábitos alimentares, recuperar o hábito das lancheiras com uma merenda ‘caseira’ e equilibrada ou evitar os snacks disponibilizados pelas «vending machines»”, sublinha Rodrigo Abreu.

in Educare

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