Quedas mataram 100 crianças em dez anos e levaram ao internamento de 40 mil

No espaço de dez anos, morreram 104 crianças e jovens na sequência de quedas e cerca de 40 mil precisaram de ser internados. Os dados fazem parte de um estudo sobre quedas acidentais ocorridas entre 2000 e 2009 realizado pela Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

De acordo com a análise feita pela APSI, a partir de dados do Instituto Nacional de Estatística, Organização Mundial de Saúde e Alto Comissariado da Saúde e Observatório da Saúde, isto significa que, em média, cerca de nove crianças e jovens sofrem diariamente uma queda com consequências consideradas graves.

Os dados permitiram também apurar que a maior parte dos acidentes mortais (76 por cento) e dos internamentos (69 por cento) foram no sexo masculino, sendo que o maior número de mortes ocorreu entre os 15 e os 19 anos (24 casos) e entre o um e os quatro anos (19 casos). Já os internamentos ocorreram em crianças mais pequenas, dos zero aos quatro anos e dos cinco aos nove (29 por cento, em ambos os casos.

“Em Portugal, tal como no resto da Europa, as quedas são o mecanismo de acidente mais frequente em crianças e jovens e a maior causa de idas à urgência nestas faixas etárias”, lembra a APSI, recuperando dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). E acrescenta que na Europa morrem todos os anos 1500 crianças e jovens entre os zero e os 19 anos na sequência de uma queda.

O trabalho, que resultou de uma parceria com a Century 21, descreve também que, de acordo com a OMS, “até 90 por cento das mortes por quedas poderiam ser evitadas na Europa” através da “criação e manutenção de ambientes e produtos seguros para crianças e jovens”.

Em relação ao tipo de quedas, a APSI conseguiu identificar um padrão para estes acidentes, apesar de só haver dados para metade da amostra no caso das mortes e para 30 por cento dos internamentos: “A maior parte das mortes resultam de quedas de edifícios e outras construções. De acordo com os dados disponibilizados pelo INE (2002-2009), 31 por cento das mortes resultaram de uma queda de edifícios ou outras construções”. “Há ainda a registar sete casos de crianças que sofreram uma queda de um nível para o outro não especificada. (…) São ainda referidas mortes que resultaram de queda de leito, queda de árvore, penhasco, mergulho ou salto para a água, sendo que estas, por razões relacionadas com o segredo estatístico não são possíveis de quantificar”, refere a APSI.

Quanto ao tipo de lesão, a lesão traumática intracraniana é a mais frequente e “as quedas de um nível para o outro representam aproximadamente 61 por cento, sendo que destas mais de metade são quedas de um nível para o outro não especificadas (67 por cento), logo seguidas das quedas de edifícios e/ou outras construções (16 por cento) e quedas de escadas ou degraus (14 por cento)”. Já as quedas ao mesmo nível perfazem 39 por cento dos internamentos, sendo a maior parte por tropeção/escorregão (72 por cento). Apenas nas quedas em buracos ou aberturas as crianças mais velhas são as mais atingidas (a partir dos dez anos).

Em termos de local, 41 por cento das quedas aconteceu em casa e 34 por cento na escola, sobretudo em momentos de lazer e em varandas e janelas. Em casa mais de metade das quedas ocorre com crianças até aos quatro anos e na escola a maior parte dos acidentes são entre os dez e os 14 anos.

“Os resultados deste estudo mostram claramente que as quedas com consequências mais graves estão relacionadas com os espaços construídos e que a construção ainda não salvaguarda de forma eficiente a segurança das crianças. É urgente projectar e construir habitações e escolas adaptadas às características e necessidades das crianças. Só desta forma poderemos reduzir o número de mortes e internamentos resultantes de quedas de edifícios (varandas, janelas) e quedas de escadas. Não só as construções novas, mas também as construções existentes devem cumprir requisitos mínimos de segurança de forma a não apresentarem riscos inaceitáveis de acidente durante a sua utilização”, defende a APSI.

A associação sugere, por isso, “a colocação de guardas eficazes nas varandas e terraços” e “limitadores de abertura nas janelas, bem como cancelas em escadas e que se implemente a Norma Portuguesa para Guardas para Edifícios, publicada em 2009.

Por Romana Borja-Santos, in Público de 4 de Maio de 2011.

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